
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) e a vereadora de Campinas Mariana Conti (PSOL) protocolaram um ofício conjunto à Prefeitura de Jundiaí solicitando a adoção imediata de medidas preventivas diante dos riscos associados ao fenômeno El Niño 2026/2027 e ao aumento de eventos climáticos extremos.
O documento foi encaminhado ao prefeito de Jundiaí e aos órgãos municipais responsáveis por áreas como Defesa Civil, Obras, Saúde, Assistência Social e Planejamento Urbano. A iniciativa cobra providências concretas, transparência e planejamento diante de um cenário climático considerado de alto risco, com probabilidade elevada de intensificação do El Niño até o final de 2026.
As parlamentares apontam que Jundiaí já enfrenta impactos relevantes. Segundo o texto, em junho deste ano, o município registrou 95 mm de chuva em apenas 24 horas, o terceiro maior volume do estado no período. As chuvas provocaram queda de árvore no Jardim Marco Leite e deslizamento de talude com colapso parcial de um muro de contenção no Jardim Santa Gertrudes, resultando na interdição preventiva de parte de uma residência. O ofício destaca que esses episódios evidenciam a necessidade de fortalecer ações de drenagem, estabilidade de contenções, arborização e comunicação de risco.
De acordo com o ofício, seu objetivo é garantir que o município atue de forma preventiva e coordenada, conforme determina a legislação nacional de proteção e defesa civil. “O município tem o dever de se preparar, proteger a população e reduzir riscos, porque os cientistas já nos alertaram há um tempo que o El Niño deste ano será mais intenso devido às mudanças climáticas. A inação do poder público, nesse caso, é uma omissão que pode colocar milhares em risco”, afirmam.
Entre as ações cobradas, o documento solicita a atualização e publicação do Plano Municipal de Contingência, a divulgação das vistorias, intervenções e medidas definitivas adotadas no Jardim Santa Gertrudes e no Jardim Marco Leite, a reavaliação de taludes, muros de contenção e áreas suscetíveis — com prioridade para Fazenda Grande e demais bairros apontados pela Defesa Civil —, além da incorporação de gatilhos objetivos para chuva acumulada em 24, 48 e 72 horas ao plano municipal.
Também são solicitados o mapeamento detalhado das áreas de risco, a execução de obras preventivas, a implementação de sistemas eficientes de alerta à população e o fortalecimento da assistência social, com garantia de abrigo e moradia temporária às famílias atingidas.
Destaca-se a necessidade de preparação da rede de saúde para lidar com eventos extremos, como ondas de calor e doenças associadas, e de ampliação da transparência, com divulgação de dados, contratos e ações preventivas. Além disso, ressalta-se a importância de atenção especial a grupos mais vulneráveis, como pessoas em áreas de risco, população em situação de rua, idosos, crianças e trabalhadores expostos a condições climáticas extremas.
As signatárias exigem a criação de uma sala de situação para monitoramento contínuo, além de protocolos claros para atuação em emergências, incluindo evacuação, distribuição de suprimentos e comunicação com a população. Outro ponto central é a cobrança por respostas formais da Prefeitura, com prazos definidos para a adoção de medidas emergenciais, atualização do plano de contingência e criação de um painel público de transparência climática.