Geral Vitória!

Brasil 1, Marrocos 1. As vuvuzelas estão caladas


Vinícius Júnior comemora o gol de empate contra Marrocos. Foto: Nelson Terme/ CBF

Brasil 1, Marrocos 1. As vuvuzelas estão caladas. Só foram ouvidas, aliás, ali pelos 32 minutos do primeiro tempo, quando Vinícius Júnior recebeu uma bola na esquerda e, perto da linha lateral da área, ajeitou para o pé direito e bateu bonito, no canto esquerdo do goleiro Bono.

Até ali, no entanto, só havia um time em campo – que vestia camisas vermelhas, e cujos jogadores trocavam passes com habilidade, empurravam o Brasil para dentro da área defendida por Alisson e, vez por outra, causavam arrepios na grande maioria dos 80 mil torcedores presentes ao Metlife Stadium. Fosse chutando da intermediária, driblando com facilidade os laterais Ibañez ou Douglas Santos e tendo liberdade para alçar bolas sobre a área brasileira, os marroquinhos jogavam com facilidade e sem receber marcação.

Nem teriam motivo para se intimidar porque, mal soou o apito inicial do árbitro, só eles detinham a bola, enquanto os brasileiros pareciam assustados, como se não jogassem nos maiores times da Europa e não tivessem, ao longo de suas carreiras, passado por outros perrengues em campo. Naquele momento, no entanto, a dificuldade atendia por ‘Marrocos’.

A seleção marroquina parecia atuar em casa, como se fosse um jogo festivo de casados contra solteiros, em que ninguém marca ninguém, porque Casemiro, Paquetá e Bruno Guimarães estavam perdidos. Os cinco minutos iniciais deixavam os torcedores brasileiros sem entender o que acontecia em campo. Tudo ficou pior quando Paquetá perdeu uma bola lá na frente, Saibari recebeu passe longo de Diaz nas costas do meio-campo brasileiro e, sem receber combate de Marquinhos ou Gabriel Magalhães, bastou correr mais alguns metros até ser presenteado com uma saída brusca e fora de hora de Alisson, encobrindo o goleiro brasileiro com facilidade e saindo para comemorar o 1 a 0.

Com a vantagem no placar, os marroquinos se tornaram os donos do campo, enquanto os homens de camisa amarela seguiam jogando à distância, erravam os poucos passes tentados para o ataque e viam, na única chance criada (Vinícius Júnior cruzou da esquerda, o centroavante Igor Thiago furou a cabeçada fácil), o desperdício.

A tal ‘parada para hidratação’ (um subterfúgio da Fifa criado para que os treinadores tenham um tempinho com seus comandados) parece ter servido, ao menos, para que Carlo Ancelotti fizessem algumas mudanças táticas. Era preciso acertar a marcação pelas duas laterais, onde os marroquinos se esbaldavam com grandes atuações de Hakimi e de um garoto que, depois, ficamos sabendo, tem apenas 18 anos: Bouaddi, um jovem líder e articulador da equipe africana.

A adversidade só não ficou pior porque, mesmo continuando a jogar mal, Vinícius Júnior fez jogada individual pela esquerda e arrancou o empate. Foi o único momento do jogo em que os apitos, as cornetas, os gritos de gol e os sorrisos foram vistos no rosto dos brasileiros.

Na etapa final, Ancelotti fez algumas mudanças, mas o italiano deveria compreender (não há ninguém que possa dizer isso a ele?) que está provocando a ira da torcida brasileira, deixando Endrick no banco de reservas.

A seleção marroquina, claramente feliz com o empate, recuou no segundo tempo, causando uma sensação de que o Brasil havia melhorado. Era só mais uma mentira deslavada, como tantas inventadas pelos homens da CBF, desde a festa que fizeram para anunciar a convocação de Neymar até os bochichos frequentes espalhados entre a Imprensa de que “o ambiente da seleção é muito bom”, “cordial” e tantos outros bla-bla-blas.

Ancelotti terá nova oportunidade de dar o mínimo de equilíbrio ao time na próxima sexta-feira (19), quando o Brasil terá o Haiti pela frente. Só os tolos acham que será um jogo fácil.

No outro jogo do Grupo C, a Escócia bateu o Haiti por 1 a 0.

FICHA TÉCNICA

BRASIL – Alisson, Ibañez (Danilo), Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro (Fabinho), Bruno Guimarães (Danilo Santos) e Lucas Paquetá (Matheus Cunha); Raphinha, Vini Jr e Igor Thiago (Luiz Henrique).

Técnico: Carlo Ancelotti.

MARROCOS – Bono, Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui (Salah-Eddine); Buaddi, El Aynaoui e El Khannous (Amaimouni); Brahim Díaz (Talbi), Ounahi (El Mourabet) e Saibari (Rahimi).

Técnico: Mohamed Ouahbi

Gols: Sabari, aos 21; Vinícius Júnior, aos 32, ambos no primeiro tempo.

Cartões amarelos: Ibañez e Casemiro.

Árbitro: Slavko Vincic (Eslováquia)

Local: Metlife Stadium, Nova Jérsei, EUA.

Público: 80.663.

Classificação do Grupo C

1 Escócia 3 PG

2 Marrocos 1

3 Brasil 1

4 Haiti 0


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